Oposição venezuelana denuncia detenção arbitrária de dirigente
O partido venezuelano Primeiro Justiça (PJ), na oposição, denunciou que o dirigente Alexis Paparoni foi detido arbitrariamente na quinta-feira, no Aeroporto de Maiquetía, a norte de Caracas.
"Urgente! Alertamos que o nosso dirigente Alexis Paparoni foi detido arbitrariamente em Maiquetía. Foi abordado por uma comissão da Direção-Geral de Contrainteligência Militar [DGCIM]", denunciou o partido na rede social X.
O PJ, ainda de acordo com a publicação, afirmou não saber qual o procedimento a que possa estar a ser submetido o dirigente.
"Responsabilizamos o regime de Delcy Rodríguez pela sua integridade. Exigimos a libertação imediata e o fim da perseguição. Nós, venezuelanos, queremos viver livres e em paz", sublinhou.
A acompanhar a denúncia, o PJ divulgou um vídeo no qual Alexis Paparoni, denuncia estar acompanhado por dois funcionários da DGCIM e que foi impedido de apanhar um voo para a cidade venezuelana de El Vigia, no estado venezuelano de Mérida.
O vídeo, segundo explica, foi gravado enquanto se dirigia à casa de banho, após ser abordado.
A detenção tem lugar no mesmo dia em que o Laboratório da Paz, um centro interdisciplinar de reflexão e ação estratégica em prol da paz, dos direitos humanos, da participação e da democracia na Venezuela (LabPazVe), denunciou que prosseguem as detenções arbitrárias no país.
"Retomou-se o padrão de retenções e detenções por motivos políticos nos aeroportos da Venezuela. A 12 de abril, há quatro dias, foi denunciada a detenção do advogado e ativista dos direitos humanos no âmbito laboral Edwin Zambrano", denunciou LabPazVe na X.
Segundo o LabPazVe, Zambrano, regressava à Venezuela quando foi abordado por agentes de segurança no Aeroporto do Estado de Táchira, tendo depois sido acusado do crime de incitação ao ódio por um tribunal antiterrorista.
"O padrão de detenções e retenções indevidas por parte da DGCIM e do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional [SEBIN, serviços de informações] em aeroportos do país, tanto nacionais como internacionais, tem sido uma prática sistemática contra políticos, ativistas sociais e dos direitos humanos, e jornalistas, que se intensificou desde 2024", explicou.
O LabPazVe apelou às autoridades venezuelanas para "cessarem as práticas que violam o direito à livre circulação e que fazem parte do padrão de assédio e perseguição por motivos políticos, amplamente documentado por organismos internacionais de proteção".
"Esses padrões são incompatíveis com processos de estabilização, recuperação e transição, e atentam contra o direito à livre circulação de pessoas que não cometeram crimes. É muito preocupante a reativação de práticas que não conduzem à paz, à convivência e à estabilidade do país", sublinhou.
Segundo dados da organização não-governamental Justiça, Encontro e Perdão (JEP), na Venezuela estão detidas por motivos políticos 674 pessoas.
Dos detidos 583 são homens e 91 são mulheres, incluindo 28 estrangeiros e 30 venezuelanos com dupla nacionalidade.
A ONG Fórum Penal documentou, desde 2014, a detenção de 19.079 pessoas por motivos políticos na Venezuela, das quais mais de 11.000 continuam arbitrariamente sujeitas a medidas restritivas da liberdade.